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Coisas simples: os sinais de alarme

Terça-feira, 16.02.10

 

Lembrei-me deste paralelismo entre o percurso de um colectivo e o crescimento, a maturidade individual. 

O percurso de um colectivo é sempre atribulado e implica cortes e rupturas, solavancos e sacudidelas. Há fases de acalmia e de equilíbrio, não necessariamente o equilíbrio desejável, mas o conveniente a quem domina, e nessas fases o poder tenta consolidar a sua influência.

Quando a situação ultrapassa os limites do suportável, há um sinal de alarme. Pode ser apenas um sinalzinho luminoso intermitente, silencioso, mas fica ali a piscar, a piscar.

Como previsto, e o poder é quase sempre previsível, quem domina a situação tenta minimizar aquele sinal de alarme, aquela perturbação é para apagar, quem são os histéricos?, os ignorantes?, os saudosistas?, os ambiciosos?  (1)

E o alarme ali, teimosamente, a piscar.

O poder reage, em todos os locais onde o alarme piscar, lá estarão os apagadores de alarmes a tentar minimizar a luzinha intermitente.

Mas agora até o filósofo, que falara no tempo dos antecessores, nessa outra situação, vem de novo alimentar a luzinha intermitente: já não é só medo de existir, é o não dito e, pior!, o não inscrito. Como argumentar se é tão evidente essa negação constante, essa não-permanência, essa não-continuidade? Esse eterno presente sem passado nem futuro, essa promessa vazia, não-concretizável? E em que o outro não tem razão, a sua opinião não é válida, não existe?

Aqui o poder hesita e resolve lançar a confusão. É nesta fase que nos encontramos, vozes desencontradas, agitadas, agressivas, entrincheiradas. É o clima ideal, adequado, à não reflexão.

Só que o sinal de alarme já é mais luminoso e não se deixa apagar. Não se deixa envolver em agitações de circunstância. Observa e pensa, com a distância emocional necessária para observar correctamente e pensar de forma eficaz.  (2) 

 

 

(1)  Já respondi ali atrás a todas estas críticas ao primeiro sinal de vida do cidadão comum, a petição e a manifestação "Todos pela Liberdade", mas ainda faltava esta da ambição. Aceito. Querem lá ambição maior do que esta, da liberdade? Querem lá ambição maior do que uma democracia de qualidade?, de uma vida colectiva baseada no respeito mútuo e na confiança?, do direito de todos o cidadãos a uma vida livre de condicionalismos insuportáveis, de fracturas sociais, de alterações súbitas de valores e formas de vida, da domesticação sistemática?, do direito a uma vida digna, em que cada cidadão existe para além da sua condição de eleitor e contribuinte, escravo portanto, o que sustenta a máquina e os seus caprichos e aventureirismos? 

(2) É claro que numa comunidade humana, baseada na natureza humana, nem todos os sinais de alarme são motivados pelas melhores razões, as da defesa da qualidade de vida de um colectivo, de uma comunidade, de um país. Mas quando uma comunidade deixar de ter sinais de alarme, a avisar excessos e desvarios, estará perdida.

 

 

 

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publicado por Ana Gabriela A. S. Fernandes às 13:16








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